A velhice me surpreende. Não que a tema; tampouco que eu a aplauda. Apenas me entontece o modo como muitos a encaram: de forma desrespeitosa.
Quando vejo pessoas como Cacá Diegues, nas últimas imagens de produção do
inacabado “Deus Ainda é Brasileiro”, me comove o andar arrastado, a cabeça como
se pesasse sobre os sombros e a imagem de alguém que aprendi a conviver com vivacidade.
Agora, ela é um retrato desfigurado na parede da memória.
O temor da velhice me chega quando noto que o mundo atual não tem nenhum
preparo para admirar o papel dos idosos. O etarismo é precoceito pregado com
absoluta vocação pelos mais jovens. E até pelos que já não o são.
Final de 2025, andei conversando com pessoas de idade num centro de acolhimento
deles. A maioria, pessoas que só tinham o passado por vivência. Os que tentavam
se inserir na moderna idade, eram vistos com olhar de reprovação.
Quando colegas de trabalho tratam um profissional maduro com certa
irreverência, estão errando ao classificar pessoas como se fossem animais de
corte. Um amigo meu, de antigas conversas nas redações de um jornal, vive hoje
enclausurado, com medo de visitar o local porque já não conhece ninguém e diz
que o melhor é deixar ao tempo do ontem, o que ontem construiu.
Devia sair. Visitar os locais do passado. Rever os que ainda não se foram.
Jogar conversa fora com os aposentados da Praça do Ferreira. E se inteirar sobre
os assunto da atual idade. Atualidade.
Quem se fecha em conchas, parece adotar a postura dos mortos relaxados em
um caixão fúnebre aguardando a hora do enterro. Os que falam “ah! No meu tempo...”
asselham-se a esses defuntos. Que foram esquecidos de sepultamento.
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